Crise no mercado cripto: 82 projetos encerram atividades em 2026 e expõem desafios do setor
Falta de receita, dificuldades para atrair usuários, redução do financiamento e ataques de segurança estão entre os principais fatores associados ao encerramento de projetos de blockchain, DeFi e Web3.
O mercado de criptomoedas enfrenta um período de reestruturação em 2026. Um levantamento divulgado pela pesquisadora Stacy Muur identificou 82 projetos e protocolos de ativos digitais que teriam encerrado suas atividades ao longo do ano, incluindo iniciativas de finanças descentralizadas (DeFi), infraestrutura blockchain e jogos Web3.
Entre os nomes mencionados estão Balancer, Radiant Capital, Neon EVM e Step Finance. Os casos levantam uma questão importante para o setor: por que projetos que conseguiram atrair investimentos, desenvolver tecnologias e conquistar usuários não conseguiram manter suas operações?
A resposta envolve diferentes fatores, desde modelos de negócio pouco sustentáveis até problemas de segurança e dificuldades para gerar receitas recorrentes.
A análise da News Byte mostra como esses encerramentos refletem desafios estruturais do mercado e por que o volume de capital captado nem sempre representa garantia de sobrevivência.
O que está por trás dos encerramentos
Durante os períodos de valorização das criptomoedas, muitos projetos conseguem atrair investimentos com propostas de novas redes, plataformas financeiras descentralizadas e aplicações baseadas em blockchain.
Entretanto, transformar esse interesse inicial em uma operação financeiramente sustentável representa um desafio diferente.
O desenvolvimento de protocolos exige recursos para infraestrutura, segurança, manutenção, profissionais especializados e evolução tecnológica. Quando as receitas não acompanham essas despesas, a continuidade do projeto pode depender de novas rodadas de investimento.
Em um cenário de menor disponibilidade de capital, essa dependência se torna especialmente problemática.
Segundo os dados apresentados no levantamento, os principais motivos associados aos encerramentos incluem:
Falta de demanda suficiente pelos produtos.
Receitas incapazes de sustentar as operações.
Esgotamento dos recursos captados.
Ataques e vulnerabilidades de segurança.
Mudanças estratégicas e abandono de produtos.
Esses fatores não afetam todos os projetos da mesma maneira. Enquanto alguns enfrentam dificuldades comerciais, outros deixam de operar após perdas financeiras ou problemas técnicos.
Queda do Bitcoin aumenta a pressão sobre o setor
A deterioração das condições de mercado também contribuiu para ampliar os desafios enfrentados pelas empresas de criptomoedas.
Após atingir uma máxima histórica superior a US$ 126 mil em outubro de 2025, o Bitcoin passou por uma forte correção, chegando a negociar abaixo de US$ 60 mil no início de 2026, conforme os dados apresentados na pauta.
Movimentos dessa magnitude podem afetar empresas que dependem diretamente da valorização dos ativos digitais, da atividade de negociação ou da disponibilidade de investimentos.
Durante períodos de alta, projetos conseguem atrair usuários interessados em novas oportunidades, programas de incentivo e rendimentos oferecidos por aplicações descentralizadas.
Quando o mercado perde força, parte dessa atividade pode diminuir.
A redução do interesse tende a pressionar receitas provenientes de taxas, transações e serviços financeiros, especialmente em plataformas que ainda não desenvolveram uma base de usuários recorrente.
Entretanto, a queda dos preços não explica isoladamente os encerramentos. Problemas de gestão, segurança e sustentabilidade financeira também desempenham papéis importantes.
Blast: bilhões em depósitos não garantiram a continuidade
Um dos exemplos destacados é a Blast, rede de segunda camada da Ethereum que chegou a atrair mais de US$ 2 bilhões em depósitos.
Apesar do volume expressivo de recursos movimentados, o projeto anunciou o encerramento de suas operações após concluir que não existia um caminho economicamente viável para manter a rede.
O caso evidencia uma diferença importante entre capital depositado e receita operacional.
O valor total bloqueado, conhecido como TVL (Total Value Locked), representa os ativos mantidos em aplicações e contratos de uma rede ou protocolo. Esse indicador ajuda a dimensionar a utilização de determinados serviços, mas não corresponde ao dinheiro disponível para financiar a empresa responsável pelo desenvolvimento.
Uma plataforma pode apresentar bilhões de dólares em depósitos e, ainda assim, gerar receitas insuficientes para cobrir seus custos.
No caso das redes de segunda camada, a sustentabilidade depende de fatores como volume de transações, taxas cobradas, despesas operacionais e capacidade de manter usuários ativos.
O encerramento da Blast reforça a necessidade de analisar esses indicadores em conjunto, em vez de considerar apenas o volume de recursos depositados.
Ataques de segurança também contribuíram para os encerramentos
Além dos desafios financeiros, incidentes de segurança aparecem entre os fatores que comprometeram a continuidade de projetos.
A Step Finance, plataforma do ecossistema Solana, encerrou suas operações em fevereiro após uma violação significativa de sua tesouraria.
Já a Radiant Capital anunciou em junho o encerramento gradual de suas atividades, depois de enfrentar dificuldades para se recuperar de um ataque ocorrido em 2024.
Esses episódios mostram como vulnerabilidades podem provocar consequências que ultrapassam as perdas imediatas.
Quando um protocolo sofre um ataque, os impactos podem incluir redução da liquidez, perda de confiança, custos de recuperação e dificuldades para manter parceiros e usuários.
Mesmo quando parte da infraestrutura permanece operacional, recuperar a credibilidade pode exigir recursos que o projeto já não possui.
Para o setor DeFi, os casos reforçam a importância de auditorias, mecanismos de proteção, transparência na administração dos recursos e planos de resposta a incidentes.
Nenhuma dessas medidas elimina completamente os riscos, mas sua ausência pode ampliar a exposição dos participantes.